Resumen
Guerreiro Ramos expõe o racismo/sexismo epistêmico das ciências sociais no Brasil quando objetifica o negro brasileiro, o constrói e o apresenta como um humano estático, exótico, mumificado, problemático. Assim, faz uma potente crítica à violência epistêmica das ciências sociais no Brasil com as negras e os negros brasileiros, defendendo um pensar sociológico desde o Brasil, comprometido com a emancipação da população negra brasileira e da sociedade brasileira. Seu projeto intelectual foi criticar a colonialidade epistemológica e pensar a decolonialidade das ciências sociais brasileiras que vinha, até então, objetificando, fixando e estereotipando as negras e os negros brasileiros. Ao mesmo tempo, defende que a descolonização/decolonialidade dos estudos sobre o negro no Brasil já estava em curso não na vida acadêmico-intelectual brasileira, mas no ativismo negro. Assim ressalta o potencial decolonial/descolonizador da crítica do ativismo negro brasileiro através da apresentação da organização negra Teatro Experimental do Negro (TEN), fundada pelo ativista Abdias do Nascimento, em meados da década de 40. Por essa epistemologia efetivamente decolonial de Guerreiro Ramos produzida em plenas décadas de 40 e 50, defendemos que ele seja tomado como fundador dos estudos decoloniais no Brasil e na América Latina.
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